Problema de pesquisa

Um problema de pesquisa é um problema que pode ser resolvido com conhecimentos e dados já disponíveis ou com aqueles passíveis de serem produzidos. Portanto, é algo cuja compreensão forneça novos conhecimentos para o entendimento ou tratamento de questões a ele relacionadas.

Um problema de pesquisa exige que outras informações sejam obtidas a fim de delimitá-lo, compreendê-lo, resolvê-lo ou contribuir para a sua solução. Portanto, é algo que pode ser testado cientificamente, que envolve variáveis que podem ser observadas ou manipuladas.

É claro que nem todas as indagações podem ser consideradas problemas de pesquisa. Assim, não é um problema de pesquisa algo que se pode resolver pela  intuição, pela tradição, pelo senso comum ou pela simples especulação.

Diferença entre tema e problema de pesquisa

“(...) há diferença entre problema e tema. Do tema procede o problema a ser investigado. Um tema pode suscitar vários problemas. Tem, portanto, caráter mais geral, mais abrangente do que o problema” (VERGARA, 2000: 23).

 

O que é o problema de pesquisa?

Segundo GIL (1999, p.49), para entender o que é um problema científico é preciso, primeiramente, considerar aquilo que não é um problema científico.

Exemplos: Como fazer para melhorar os transportes urbanos?; O que se pode fazer para conseguir melhor distribuição de renda?; O que se pode fazer para melhorar a situação dos pobres?

Estes problemas não são científicos, porque não podem ser pesquisados segundo métodos científicos. Da forma como estão propostos referem-se a problemas de “engenharia”, indagando acerca de como fazer as coisas e não se referindo a como são as coisas, suas causas e conseqüências.

Os seguintes problemas também não são científicos: Qual a melhor técnica psicoterápica?; É bom adotar jogos e simulações como técnicas didáticas?; Os pais devem dar palmadas nos filhos?

Estes são, segundo GIL (1999), exemplos de problemas de valor, “assim como todos aqueles que indagam se uma coisa é boa, má, desejável, certa ou errada, ou se é melhor ou pior que outra. São igualmente problemas de valor aqueles que indagam se algo deve ou deveria ser feito” (p.50).

(...) “a pesquisa científica não pode dar respostas a questões de “engenharia” e de valor  porque sua correção ou incorreção não é passível de verificação empírica” (GIL, 1999: p.50).  Um problema é testável cientificamente quando envolve variáveis que podem ser observadas ou manipuladas. Schrader (1974:20, apud LAKATOS e MARCONI, 2000:127) enumera algumas questões que devem ser formuladas para verificar a validade científica de um problema:

a)      Pode o problema ser enunciado em forma de pergunta?

b)      Corresponde a interesses pessoais, sociais e científicos, isto é, de conteúdo e metodológicos? Estes interesses estão harmonizados?

c)      Constitui-se o problema em questão científica, ou seja relaciona entre si pelo menos dois fenômenos (fatos, variáveis)?

d)      Pode ser objeto de investigação sistemática, controlada e crítica?

e)      Pode ser empiricamente verificado em suas conseqüências?

Assim, problema  “(...) na acepção científica (...) é qualquer questão não solvida e que é objeto de discussão, em qualquer domínio do conhecimento” (GIL, 1999: 49). “(...) uma dificuldade, teórica ou prática, no conhecimento de alguma coisa de real importância, para a qual se deve encontrar uma solução” (LAKATOS e MARCONI, 2000: 159).

Segundo Vergara (2000: 21) problemas de pesquisa apresentam relações entre variáveis: Um policial perguntaria: “Quem saqueou o supermercado?”; um pesquisador, provavelmente perguntaria: “Até que ponto o saque de supermercados pode estar associado aos níveis de desemprego?

Outros exemplos citados por Vergara (2000, p.21): Qual a correlação entre produtividade e iluminação do local de trabalho?; Como o clima organizacional afeta o desempenho administrativo?; Que tipo de organização deve a empresa ter para tratar com várias condições econômicas e de mercado?